Sinto...

Sinto todas as minhas feridas sangrando, como chagas abertas à mercê de animais necrófagos.
Arrasto-me pelo campo de batalha... recolhendo os despojos que deixei pelo caminho.
Que me confrange?
Quem me move?
Porque me castigo?
Quando silenciarei todos os fantasmas que teimosamente persistem em me violentar?
Lambo as feridas na esperança remota de as ver sarar.
Descobri cedo que a felicidade é uma colecção de instantes suspensos sobre o tempo que só depois de amarelecidos pela ausência se revelam. Aprendi que a adversidade esconde sempre um qualquer sintoma de alegria..
Reconheco que o silêncio é um líquido quente que me envolve...
Gritos mudos escapam-se-me da garganta, não os escuto… só os sinto como tenazes comprimindo-me o peito.
Afasto-me de mim para no regresso me buscar mais límpida e me reencontrar.

2 Comments:
Sei que a «luz» se encontra do outro lado deste denso e negro muro que me rodeia..
Não sei se consigo encontrar as forças para me erguer por cima dele e.. nem que seja dar uma espreitadela.. como pela fresta de uma porta entreaberta.. e.. sim.. e inalar um pouco do ar que me falta..
Sinto as mãos tremelicando enquanto seguro o objecto que talvez me ajudará a erguer..
talvez..
Aquele abraço apertado
Há muito que me perdia sem vontade de passear fosse por onde fosse. Estava a ser uma prisão...
E depois a prisão tornou-se em liberdade e retorno a leituras antigas e a outras novas - que me soam a passados...
Seja... seja o que for...
gostei muito, quer por ler algo que me faz pensar... quer por ler algo que me faz saudades...
Enviar um comentário
<< Home