Prazer e Estética

Estamos naquela hora em que a tarde beija a noite e lhe sorri, dizendo:
«-Vem... anseio-te. Quero serenar no teu breu.. cobrir-me com o teu manto de estrelas.. ofuscar-me no teu brilho lunar.»
Contemplo a chuva e o céu cinzento que me sorriem do exterior.
Crepita um ar cálido.
Estou a mirar a minha cidade e assalta-me um prazer provocado pelo que se me é dado ver.
Sorrio.
Ocorre-me à mente a doutrina do prazer ligada à origem do estético.
Dar-nos-á ou não prazer olhar as coisas belas?
O exercício dos nossos órgãos sensoriais, quando afinam a sensação em agradável, não a elevarão à esfera impalpável de Sentimento?
O Sentir vem sempre acompanhado por uma «representação», por uma percepção.
Quando miro este belo dia chuvoso, a placidez deste recanto da minha cidade, vem-me uma untuosa sensação de prazer...
Por isso entendo que é difícil separar a esfera do prazer, da esfera do estético.
Mas depressa este prazer é substituído pelo prazer de te evocar.
O prazer de afagar a tua pele, de beijar os teus lábios, do timbre da tua voz serena ... rouba-me o prazer da ideia, da objectivação da doutrina..

2 Comments:
Olá,
lindo texto, deleito-me ao sabor da forças das tuas palavras, apaixonadas pela vida.
Beijinhos muitos para ti
Isa
A beleza rodeia-nos e por vezes nem damos conta do que perdemos. O texto está fabulástico!
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