sexta-feira, junho 16, 2006

Ausência de mim



Acelero o passo quase com furor...
Acelero mais.
Quero ver o mundo a fugir sobre mim...
Quero encontrar-me com a vertigem.

Intento baldadamente saciar a minha incomodidade, desfazer a impotência..

Desconheço-me!

A mulher que conhecia com o canto mais alegre desta vida está, agora, afundada no tédio, resignada e triste..
Desiludida e fechada..

Que me fizeram?
Que me fez a vida?
Já não saberei cantar?
Nem rir com uma gargalhada imensa, escandalosa e sonora?

Digo-me:
-«Ri-te, mulher! Porque o teu mais íntimo e profundo ser nasceu do riso alegre. Rir é sinal da tua força! Não afogues essa chama bruxuleante que em ti ascendia e palpitava.»

Mas o riso prende-se-me na garganta como se o deserto me enchesse o peito..