domingo, agosto 20, 2006

Festa,fanfarra e religiosidade

[Imagem da N.S.da Boa Viagem. Ericeira]


Este fim-de-semana a Ericeira está em Festa.
Homenageia a Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira dos pescadores.
Em tempos idos, até se percebia a homenagem.
Hoje em dia a Ericeira não tem pescadores.
Ou se os tem, contam-se pelos dedos e dedicam-se ao aluguer dos barcos para a pesca desportiva em mar alto.
Mas isso são outras estórias.
Nada de críticas!
Estamos em festa!

Ontem a Senhora foi à noite passear, em procissão ,ao mar.
(Também tem direito de sair à noite!)
Barcos engalanados... beatas bem vestidas... velas encapuçadas, não fosse o vento apagá-las, o padre falava para um microfone e a religiosidade repetia.
Nem sabiam o que diziam.
A mensagem até era bonita, mas a lengalenga estava decorada e ninguém prestava atenção ao conteúdo de tais palavras.
A Fanfarra tocava a compasso.
As beatas acenavam a quem não seguia na procissão mas, por curiosidade ou hábito, assistia ao desfile nos passeios.
Foi o meu caso.
É uma festa dentro da Festa.

Hoje acordei com foguetes.
Festa que se preze tem a sua alvorada!
A Fanfarra percorre as ruas e escuto os seus trombones e bombos.
Daqui a umas horas lá temos nova procissão.
Desta vez é a do dia.
Perfilados e levados em ombros pelos "pescadores", lá vêm o S.Sebastião; o S.Vicente; o S.Pedro; o Menino Jesus; o Santo António e a Nossa Senhora da Boa Viagem no seu belo barquinho azul e branco.
Todos muito floridos, porque no que toca a enfeitar os andores, as beatas não deixam os seus créditos em mãos alheias.
À frente vai a Fanfarra seguida dos porta-estandartes.
Depois vêm os anjinhos e as mãezinhas com as garrafinhas de água, não vá alguma criancinha desmaiar devido ao calor.
Depois da fileira de Santos, seguem-se os padres debaixo do «pano» e os diáconos.
Logo de seguida, as Entidades locais, os Bombeiros e a Banda da Vila.
E para terminar, os crentes.
Todos muito compenetrados no seu papel de religiosos.

O povo participa: coloca nas janelas colchas coloridas e brilhantes, miniaturas da Senhora no seu barco, velas acesas e, os mais criativos, redes da faina marítima.
A procissão percorre as ruas da Vila.
É bonita a Festa.

Apetecia-me ser João Villaret e declamar o poema do António Lopes Ribeiro “ Procissão”:

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão...
(...)

4 Comments:

Blogger Manuel Veiga said...

tem graça: lendo-te, esqueci o andor e escutei a "banda" do Chico Buarque...

12:06 a.m.  
Blogger Licínia Quitério said...

Fizeste um bom retrato. E não largaste as beatas de vista. Olha que elas andam sempre atentas aos costumes dissolutos das "senhoritas" (assim chamam por lá às veraneantes).
Beijinho.

11:43 p.m.  
Blogger Al Cardoso said...

Adoraria ainda hoje ouvir o Vilaret recitar a "procissao".
poema que me ficou no ouvido, e ainda hoje consigo repetir.

Tambem eu recentemente assisti, a uma dessas manifestacoes de fe na minha terra natal, mas ou porque o "palio" (assim se chama o pano) se rasgou ou devido a modernidades de um padre mais jovem, o dito ministro decidir nao utilizar o dito palio e seguia o ultimo andor empunhando um megafone, enquanto rezava e cantava junto com os outros crentes.
Embora desgostado pela tradicao quebrada, creio que esta procissao, estara mais de acordo com os novos tempos.

Um abraco de amizade.

11:05 a.m.  
Blogger Maria Liberdade said...

Que Deus nos proteja!

8:16 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home