Festa,fanfarra e religiosidade
[Imagem da N.S.da Boa Viagem. Ericeira]Este fim-de-semana a Ericeira está em Festa.
Homenageia a Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira dos pescadores.
Em tempos idos, até se percebia a homenagem.
Hoje em dia a Ericeira não tem pescadores.
Ou se os tem, contam-se pelos dedos e dedicam-se ao aluguer dos barcos para a pesca desportiva em mar alto.
Mas isso são outras estórias.
Nada de críticas!
Estamos em festa!
Ontem a Senhora foi à noite passear, em procissão ,ao mar.
(Também tem direito de sair à noite!)
Barcos engalanados... beatas bem vestidas... velas encapuçadas, não fosse o vento apagá-las, o padre falava para um microfone e a religiosidade repetia.
Nem sabiam o que diziam.
A mensagem até era bonita, mas a lengalenga estava decorada e ninguém prestava atenção ao conteúdo de tais palavras.
A Fanfarra tocava a compasso.
As beatas acenavam a quem não seguia na procissão mas, por curiosidade ou hábito, assistia ao desfile nos passeios.
Foi o meu caso.
É uma festa dentro da Festa.
Hoje acordei com foguetes.
Festa que se preze tem a sua alvorada!
A Fanfarra percorre as ruas e escuto os seus trombones e bombos.
Daqui a umas horas lá temos nova procissão.
Desta vez é a do dia.
Perfilados e levados em ombros pelos "pescadores", lá vêm o S.Sebastião; o S.Vicente; o S.Pedro; o Menino Jesus; o Santo António e a Nossa Senhora da Boa Viagem no seu belo barquinho azul e branco.
Todos muito floridos, porque no que toca a enfeitar os andores, as beatas não deixam os seus créditos em mãos alheias.
À frente vai a Fanfarra seguida dos porta-estandartes.
Depois vêm os anjinhos e as mãezinhas com as garrafinhas de água, não vá alguma criancinha desmaiar devido ao calor.
Depois da fileira de Santos, seguem-se os padres debaixo do «pano» e os diáconos.
Logo de seguida, as Entidades locais, os Bombeiros e a Banda da Vila.
E para terminar, os crentes.
Todos muito compenetrados no seu papel de religiosos.
O povo participa: coloca nas janelas colchas coloridas e brilhantes, miniaturas da Senhora no seu barco, velas acesas e, os mais criativos, redes da faina marítima.
A procissão percorre as ruas da Vila.
É bonita a Festa.
Apetecia-me ser João Villaret e declamar o poema do António Lopes Ribeiro “ Procissão”:
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão...
(...)

4 Comments:
tem graça: lendo-te, esqueci o andor e escutei a "banda" do Chico Buarque...
Fizeste um bom retrato. E não largaste as beatas de vista. Olha que elas andam sempre atentas aos costumes dissolutos das "senhoritas" (assim chamam por lá às veraneantes).
Beijinho.
Adoraria ainda hoje ouvir o Vilaret recitar a "procissao".
poema que me ficou no ouvido, e ainda hoje consigo repetir.
Tambem eu recentemente assisti, a uma dessas manifestacoes de fe na minha terra natal, mas ou porque o "palio" (assim se chama o pano) se rasgou ou devido a modernidades de um padre mais jovem, o dito ministro decidir nao utilizar o dito palio e seguia o ultimo andor empunhando um megafone, enquanto rezava e cantava junto com os outros crentes.
Embora desgostado pela tradicao quebrada, creio que esta procissao, estara mais de acordo com os novos tempos.
Um abraco de amizade.
Que Deus nos proteja!
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