quinta-feira, agosto 10, 2006

Hasta Siempre,Comandante

Sempre que estou de férias aproveito para fazer uns «arrumos» cá em casa. Deparo-me com coisas que imediatamente vão para o lixo; outras, porque são «memória», acaricio-as, sorrio-lhes e fico a tacteá-las...a sentir-lhes a textura... com um sorriso nos lábios e os olhos vagos.. Recuando no tempo… Encontrei a minha boina basca. Ainda com a estrela vermelha pregada. Recordo-me de ser uma jovem caloira universitária e de usá-la no Inverno. Tinha um cabelo comprido aloirado dividido em duas tranças, uma franja e, com jactância, usava a minha boina como homenagem ao Che Guevara. Homem e figura histórica que muito admiro. Não vou falar do Homem que foi. Nem dos seus ideais. Há muita desinformação, quer sobre o seu pensamento, quer sobre os seus princípios, quer até mesmo sobre o seu percurso de vida. No dia em que morreu o Homem, nasceu o Mito. O que me admira são as actuais gerações. O fascínio que o «Mito» Che Guevara exerce sobre elas. É comum vermos jovens com t-shirts com o seu rosto. Desde a foto tirada pelo Korda e que ficou imortalizada, até a outras em forma de B.D., tudo nos é dado mirar. Os jovens são revolucionários e contestatários por natureza. Sonham com mudanças sociais. Sabemos disso. Talvez esse seja um dos atractivos da figura do Che. Porque representa a figura do revolucionário, com todos os seus sonhos, actos e utopias. Mas se Che Guevara foi Mito para muitas gerações, incluindo a minha, para outras, as mais actuais, sinto que é mais Ícone. Nisso é preciso ter cuidado. Os Ícones são simplesmente adorados. Não importa conhecer os ideais, o percurso de vida e de luta, o pensamento. Adora-se, é tudo. Acredito que muitos dos actuais jovens usem t-shirts do Che simplesmente porque lhes dá um certo «ar» e não porque conheçam o Homem por detrás daquele rosto. Custa-me ver o Che banalizado pela sociedade de consumo capitalista, vendido como uma «marca», como uma moda. Usado como produto rentável para a sociedade capitalista Vai contra todo o pensamento «Guevariano», contra todos os Princípios que sempre defendeu incluindo o do combate a essa mesma sociedade.

12 Comments:

Blogger Licínia Quitério said...

A sociedade capitalista apodera-se da alma dos menos prevenidos. Tudo pronto a usar, a consumir. Não fica espaço para questionar seja o que for. Tudo é redutível a uma "marca". E usa-se Che como se põe um piercing. Perigoso adormecimento. Repugnante, deixa-me dizer.
Beijinhos de mar da também "minha" Ericeira.
Licínia

4:08 p.m.  
Blogger Isa e Luis said...

Olá,

Realmente tentam aproveitar -se de tudo e de todos para encher o bolso:((

Beijinhos muitos para ti

Isa

6:56 p.m.  
Blogger Frioleiras said...

Como tens razão ! Tudo é consumo, tudo deixou de ter alma ! A unica forma de a vida ter algum se ntido é o refúgio na natureza, na música e na arte ! Acredita Poderá ser uma atitude de "avestruz" mas a vida é já demasiado curta para termos ilusões... Um abraço e Boas Férias !

5:22 p.m.  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Concordo perfeitamente contigo.Che não sao tshirts,crashs, canetas...
acreditas que quando estive em Cuba não trouxe nada dele porque ele esta no meu coração e nesse povo lindo.

8:53 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

concordo em g~enero, número e grau.
e, como vc, ainda tenho a minha boina guardada. ;)

um beijo daqui.

3:21 p.m.  
Blogger ... said...

Essa música que tens hoje no blog, traz-me recordações, oh que recordações.
Estava eu bem melhor!
Enfim...
Sabes bem afundo a história desse menino argentino?
Ah, e devemo-nos ter cruzado no PavAtlântico aquando dos Coldplay.

6:40 p.m.  
Blogger o alquimista said...

Há tesouros que cotêm lembranças algumas bem agradáveis...

6:51 p.m.  
Blogger vida de vidro said...

Concordo totalmente com a tua análise. A verdade é que esta geração tem falta de ideais e de exemplos com que se identificar. Então, agarra-se aos mitos. E o Che merecia como ninguém que o conhecessem em profundidade.**

8:55 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Apenas escrevo algo que me ocorreu ao ler.

Será que estou em erro ao pensar que o primeiro a usar a figura deste homem para fins menos dignos foi o «senhor» Fidel Castro?

Não é capitalista mas que utiliza a propaganda tal como os politicos da sociedade capitalista, disso não duvido.

10:24 a.m.  
Blogger JPD said...

Mas não vai acontecer outra alternativa senão essa, a da marca e a do hedonismo do símbolo.
Bjs

3:50 p.m.  
Blogger Bel said...

Ele é o retrato do pensamento livre.Por isso tao admirado.
Um abraço

9:33 p.m.  
Blogger Paulo said...

Dizem que comecei a andar nos finais do ano de 1982 da nossa era...
Tinha então 15 meses de idade. Afinal já então jovens caloiras que alimentavam os seus "mitos", os seus hérois as sua crenças e faziam , dessa mistura, "milagres" das sua vidas.
Eu não alimento mitos. Vivo um dia de cada vez mas sempre no limite...no "fio da navalha".
Karl Marx não foi propriamente o meu filosofo, jornalista e revolucionário embora tenha lido : "o capital"; "critica da economia política"; "apelo as classes trabalhadoras"...
Marcaram-me, isso sim, as obras de «Unamuno», «Taine», «Zenão», «William James» e outros...
Respeito o direito de opinião assim como o direito à indignação.
Obrigago pelo beijo que, confesso, senti como verdadeiro.
Paulo

2:16 p.m.  

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