quinta-feira, junho 21, 2007

Phenix




«Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
Longas manhãs te esperei tremendo. Que me importa
Que me batam à porta, façam chegar
Jornais, ou cartas, de amizade um pouco
- tanto pó sobre os móveis da tua ausência.. »

[ Fernando Assis Pacheco ]



Longo foi o tempo de trevas..
Memórias guardadas, obscurecidas pela névoa da ausência..
«Muitas vezes te esperei, perdi a conta..»
Raios de sol aqueceram o Inverno que a tua partida causou.
A dor .. emurcheceu..
O teu rosto, não.
A tua volta esbarrou na dor amordaçada, nas ilusões entretanto criadas..
« Que me importa.. que me batam à porta..»
Bateste, não te escutei..
Teimosamente.. encostei-me para que se não abrisse.
Mas o teu toque despertava-me para outros toques..
Tão ausentes.. tão presentes..
E o teu rosto cintilava..
A tua voz, quente, embalava-me..
resgatando-me de outras dores.
A tua persistência derrubava os muros.
Continuavas em mim!
Transpuseste o degrau que teimosamente nos separava.
Olhei-te..
Olhaste-me..
E nesse profundo encontro, reconheci a boca que pensava perdida.. As mãos que me enlouqueciam, o cheiro que me inebriava..
Revivemo-nos..

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Estou de bem com o mundo
até um tanque de guerra
se cansa da guerra
até um pássaro pára para repousar

e depois
o céu hoje é de um azul
que faz mal aos olhos
agudo que a gente fica ali
barriga pro ar
admirando as andorinhas que volteiam
matutando no que pensam lá no alto
no que sabem
se sabem que estou de bem com o mundo
que volteiam lá em cima também para mim

(Vera Lúcia de Oliveira)

'MIG'

5:03 p.m.  
Blogger Manuel Veiga said...

os degraus que separam são os mesmos degraus que aproximam.

muito belo o teu poema.

... e muito gratificante a citação do Assis Pacheco.

7:45 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

A beleza da tua alma..na escrita de uma cruzada a dois..

abraço

intruso

12:37 a.m.  

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