Diálise

Enredas-me nas tuas duas águas.
Numa, encontro submerso o meu desejo.
Recusas-te a separá-las..
Para que corram distintas.
E segues o teu curso por um rumo que não vejo..
Urge, por isso, fechar as comportas..
Para lá das quais uma estrela se ofusca.
E o tempo corre..
E o caminho de regresso não está aberto.
Fico para trás até te perder de vista.
O vento empurra-me para outro lado..
Oposto aquele onde as águas não se separaram.
Partilhamos o leito da memória...
E o prato do silencio.
As perguntas não têm resposta..
Não as quero...
O que é contraditório há-de continuar contraditório.
Os horizontes não voltarão a sorrir.
Impeço-me de ver os teus olhos a pedirem
Que os olhe..

2 Comments:
Foi uma boa descoberta, a tua casa. O teu poema é lindo. Concordo plenamente com o comentário que deixaste no odisseus.Beijos
PS: qual a é a tua cidade? Portugal é ao mesmo tempo pequeno e grande.
Olá,
lindo o teu poema sensivel profundo.
Bom domingo repleto de alegrias
Beijinhos
Isa
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