quarta-feira, junho 21, 2006

Pablo Neruda (poema nº20)



Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo, a noite está estrelada e tiritam azuis os astros ao longe.
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a amei e às vezes ela também me amou,
em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me amava, às vezes eu também a amei.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos?

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho, sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo – isso é tudo.
Ao longe, alguém canta. Ao longe.

Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la, o meu olhar a procura,
meu coração a procura - e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.

Nós os de então já não somos os mesmos.
Eu já não a amo, é verdade, mas quanto a amei.
Minha voz procurava o vento para tocar os seus ouvidos.
De outro. Será de outro. Como era antes, dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade. Mas, talvez a ame.
É tão curto o amor e é tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
E minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me cause.
E sejam estes os últimos versos que lhe escrevo.

2 Comments:

Blogger Manuel Veiga said...

sabe-se lá se se ama. ou não se ama. sabe-se apenas que o amor é curto. e longo o esquecimento.

poesia, pois claro!

12:47 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

UN POEMA DE AMOR

No puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribiré, por ejemplo: “El sol amarillo parpadea y el cielo azul se vuelca en mi sentido”

La brisa del mar caracolea por fandangos.

No puedo escribir los versos más tristes esta noche.
La quiero y se que ella me quiere.

En días como este mi razón puede abrazarla.
La beso hasta el infinito bajo el cielo.

Ella me quiere y yo creo que la quise siempre.
Siempre amé la mirada de sus grandes ojos.

No puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pienso que me tiene. Siento que no estoy perdido.

Escuchar el día enorme, pequeño a su lado.
Y el verso sube al corazón, como a la nube el agua.

Que importa que mi amor no la abrace.
La noche no llega cuando ella está conmigo.

Ella es todo. El canto llega. Hasta mi lado.
Mi alma estaba perdida, descontenta.

Mi mirada la encuentra y la acerca.
Ella está conmigo cuando la busca mi razón.

El mismo día que amarillea los campos iguales.
Tu y yo, los dos ahora, nunca seremos los mismos.

Ya la quiero, es cierto, pero cuanto la quise.
Mi voz tocaba el viento para llegar a tu boca.

De nadie. No será de nadie. Como ahora, antes de mi.
De ella sus ojos, su voz, su cuerpo de brillo.

Ya la quiero, es cierto, pero tal vez ya la quise.
Voy a amarla muy largo, negando el olvido.

Porque en noches como esta la extraño entre mis brazos
mi alma entiende que ya no estoy perdido.

Y no puede doler nada en esta causa
que me impulsa a escribir los versos que le escribo.

Licencia de un poema de amor de veinte, de Pablo Neruda.

Rafael
23 de Noviembre de 2005

3:47 p.m.  

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