quarta-feira, outubro 11, 2006

Um café matinal



Voltei a chegar primeiro.
Não ao nosso Café matinal, mas sim para um... café matinal.

Lugar estranho, impessoal.
Lugar sem memórias.. sem recordações.

Muito cordatos, desempenhamos as personagens que a nós próprios atribuímos.
Representamo-nos.
Fomos actores dum «argumento» por nós consentido e desejado.

Mas fomos maus actores.

Os meus olhos tristes... resvalavam dos teus olhos baços...
Não nos era tolerado fixarmo-nos.

Intuímo-lo.
Sabíamos que se o fizéssemos... perdermo-nos-iamos nas suas profundezas.

Tagarelamos sobre coisas sem sentido... para assim o tempo se escapar e não falarmos sobre a essência...
No desempenho deste nosso «argumento»...
Fomos maus actores.

Inconscientemente, as mãos buscavam-se...
Mas as personagens não consentiam que se tocassem.
Não estava no guião.

Assim como os lábios...
Sentimos o quanto se queriam unir.
Primeiro suavemente...
Depois... num fogo ardente que nos voltaria a queimar...
O guião não nos autorizava tais intimidades.
Desejadas...
Ansiadas...
Controladas...

Despedimo-nos seguindo o guião:
Dum modo civilizado, cordato e ameno.

Cada um transportando dentro de si o fogo que se quer extinto, mas que ainda arde.
Senti-o.
Sentiste-o.

Levamo-lo, em sentidos inversos, como companheiro das nossas solitudes.

Uma certeza nos acompanhou:
Fomos maus actores no guião por nós elaborado.

Mas desempenhamos o papel até ao fim da peça!

1 Comments:

Blogger Alberto Oliveira said...

... o teatro da vida não é nada fácil de representar; diz quem é actor. Quem sabe se por isso, a minha atrapalhação quando ocasionalmente me chamam a um palco...

beijo.

6:37 p.m.  

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