Palavras Pinceladas
Quem busca no bornal uma palavra, pincela com sílabas uma tela.
Desenha a roxo o raiar da manhã, onde pássaros inquietos
anunciam a paixão amordaçada que brota da alma do sol, em
tons de laranja cristalinos.
Lá longe, ao fundo, coloca o castanho da montanha onde os olhos
dos amantes se cruzam e, em misteriosos nimbos matinais,
se liquefazem como orvalho que escorre da folha onde o poema se constrói.
De azul, pinta os rios, como braços que desaguam no cais de um
beijo desejado e se enovelam nas brumas da saudade.
E é no branco dos lençóis que o adjectivo se deita e se transforma no vermelho da paixão, resgatando às águas verdes do sonho o carmim dos lábios amados, para transformar em concreto o que parece abstracto.


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