sexta-feira, novembro 09, 2012

« Assim é fácil. Díficil é sentir »





«Escrever assim é fácil. Difícil é sentir. »

Disseste-mo com o olhar longínquo, perdido num aroma de palavras, numa tarde de novembro outonal.
A chuva fustiga a vidraça discordando da tua afirmação, enquanto o vento sibila por entre as telhas, em sintonia.

« Não é difícil sentir. Difícil é saber transmitir esse sentir. »
Digo-to.

Nem sempre atentamos ao lado invisível das coisas.
Há pássaros que, apesar de livres, querem levantar voo e não conseguem.
Ficam parados como se não tivessem asas ou estivessem adormecidos.
Sentem que o seu lugar é onde estão. E aí querem estar.
E só quando as penas se soltam sobre a enchente dos rios, a sua essência se revela. E o outono vivido transmuda-se em primavera sonhada.

O sentir, hesitante, brota dos corpos e transmite-se por entre o voo do desejo, liberto.
O sorriso nasce da garganta enquanto as palavras, soltas, se espalham no ninho da paixão onde o sentimento repousa e se dá.

O difícil torna-se fácil.

Os murmúrios voam por entre almofadas de penas e as palavras transportam o amor semeado. Os corpos, em cadência musical, constroem a sinfonia dos amantes e a voz, muda, canta palavras surdas em tons de alma desnuda.

O amor flutua por entre o céu limpo de nuvens, onde os lábios se abrem soltando os pássaros do verão, cativos do frio do inverno.