sexta-feira, novembro 09, 2012

Cama Do Poema






No lençol do poema,
As palavras em diadema,
Deitam-se na estrofe macia,
Que o corpo, em rima, pedia.

O calor encaixa-se no amor,
Enquanto o desejo se consome no beijo.
E os lábios entreabrem-se
Como pétalas de rosa,
Oferecendo-se em prosa
A esses outros lábios, sábios.

Por entre advérbios gemidos,
Os verbos mudam de sentido,
E os sujeitos, perdidos,
Enlaçam-se, esquecidos.

O perfume das sílabas,
Inebria-nos os medos,
Que se nos enrola nos dedos,
Por entre o véu dos segredos.

E o esplendor dos olhos,
Em que a luz se suspende,
Afastam os escolhos,
Quando o amor se rende.