Cama Do Poema
No lençol do poema,
As palavras em diadema,
Deitam-se na estrofe macia,
Que o corpo, em rima, pedia.
O calor encaixa-se no amor,
Enquanto o desejo se consome no beijo.
E os lábios entreabrem-se
Como pétalas de rosa,
Oferecendo-se em prosa
A esses outros lábios, sábios.
Por entre advérbios gemidos,
Os verbos mudam de sentido,
E os sujeitos, perdidos,
Enlaçam-se, esquecidos.
O perfume das sílabas,
Inebria-nos os medos,
Que se nos enrola nos dedos,
Por entre o véu dos segredos.
E o esplendor dos olhos,
Em que a luz se suspende,
Afastam os escolhos,
Quando o amor se rende.


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