Ventos Benfazejos
Há muros que são sólidos, impenetráveis, por detrás dos quais as pessoas se defendem ou aniquilam. Onde cada um se refugia por temor ou por convicção ou, ainda, por grilhetas invisíveis.
São como prisões da alma. Em regime aberto.
Ou como gaiolas douradas, cujos pássaros temem iniciar os voos..
Mas por vezes há aragens que começam leves e penetram por entre as invisíveis frestas.
Instalam-se ganhando a força de ventos, atiçando fogos que emergem do profundo rio da paixão que corre dentro de cada um de nós.
São ventos arrebatadores que sopram a sua infinita voz sem palavras.
Que nos fazem abandonar a solidão intramuros e nos mostram avenidas largas e soalheiras.
E os passos calcorreiam-nas como raios de sol a furar as trevas, seguindo um trilho de sonhos, ilusões, desejos, aspirações e medos.
Nem todos têm a força anímica para caminhar extramuros.
E mesmo de entre os que a tem, nem todos caminhamos ao mesmo passo.
Esparsa-se-me o olhar pela avenida.
Oiço o eco dos meus titubeantes passos.
Sigo em frente.
Vejo a noite a desfazer-se nos alvores da madrugada em busca da luz do sol nascente.


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